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CRUZAMENTOS

Quando se pensa em cruzamentos, o objetivo maior é o aumento da produção animal através do incremento de carne, leite, ovos, lã ou ainda, visando a melhoria da produtividade dentro da raça, os chamados cruzamentos absorventes.
O cruzamento comercial oferece uma alternativa para o aumento da produção de carne de boa qualidade, devido à heterose e por permitir a introdução ou aumento rápido da freqüência de genes favoráveis para ganho de peso e qualidade da carcaça.
Dessa maneira, o uso de reprodutores de raças especializadas para corte, que imprimam nas crias altas taxas de ganho de peso na fase inicial de desenvolvimento (até ao redor de 120 dias), maior precocidade no acabamento e melhor conformação de carcaça, em cruzamento com matrizes comuns, pode ser uma alternativa válida para a obtenção de cordeiros para abate super precoce e assim atendermos um mercado cada vez mais exigente.

CARACTERÍSTICAS DOS ANIMAIS A SEREM UTILIZADOS NO CRUZAMENTO COMERCIAL.

FÊMEAS

A base do cruzamento industrial deve ser composta por matrizes adaptadas ao meio, pois serão a quase totalidade do plantel, dessa maneiras deverão ter as seguintes características:
Excelente aptidão materna: são aquelas fêmeas que cuidam bem de suas crias, apresentando índices de rejeição reduzido, e com baixa mortalidade das crias pré desmame;
Boa arqueadura de costelas para possibilitar uma boa ingestão de alimento e assim possibilitar o desenvolvimento das crias, possibilitando o nascimento de cordeiros com mais de 4 kg de peso vivo;
Com boa produção de leite para que os cordeiros sejam desmamados com bom peso (dos 45 aos 60 dias com 15 a 17 kg de peso vivo);
Que não apresente cio estacionário, pois possibilitam a produção de cordeiros o ano todo e uma melhor produção por área;
Adaptada a maioria das regiões;
Que não apresente problemas no parto;
Porte médio, para possibilitar o maior número de matrizes por área e como conseqüência um maior número de cordeiros.

MACHOS

Os machos são responsáveis pela incrementação do ganho de peso e da qualidade da carcaça, dessa maneira devem apresentar as seguintes características:
Precocidade, animais que em curto espaço de tempo conseguem promover o acabamento da carcaça;
Elevado ganho de peso: são aqueles que imprimem a suas crias precocidade no ganho de peso;
Rusticidade, para que haja um bom desempenho reprodutivo, possibilitando a cobertura a campo.

VANTAGENS

O efeito da heterose leva a um bom ganho de peso das crias, possibilitando a utilização de matrizes com maior disponibilização no mercado como raça materna e de machos de elevada característica zootécnica, exigindo assim um investimento inicial menor.
Possibilitando, também, um bom acabamento de gordura de cobertura e boa proporção de cortes nobres (traseiro) em animais ainda jovens, garantindo as características de sabor e maciez, ou seja, com peso de 28 a 32 kg com idade de 90 a 120 dias.
Dentro desses aspectos podemos utilizar na linha materna matrizes deslanadas que não necessitam de tosquia anual e caudectomia em cruzamentos com reprodutores com aptidão para produção de carne, obtendo assim produtos com grande potencial para ganho de peso e acabamento da carcaça.

Verificamos na, Tabela 1, um desenvolvimento ponderal melhor quando comparamos os animais puros Santa Inês com os cruzados com raças especializadas para produção de carne.

TABELA 1 : Desempenho dos cordeiros de cruzamentos de carneiros de raças de corte com ovelhas Santa Inês. Peso ao Nascer (PN), .Peso ao Desmame (PD), Ganho de Peso Diário na Amamentação (GPDA), Peso Final (PF), Ganho de Peso Diário no Confinamento (GPDC) e Idade ao Abate (IA).


DESVANTAGENS

Maior dificuldade no crescimento ou reposição do rebanho de matrizes, pois todas as crias originadas do cruzamento devem ser abatidas. Em face disso, é importante que o ovinocultor utilize 30 a 40 % de suas melhores fêmeas, em termos de características raciais e desempenho (ponderal e reprodutivo), para cruzamento com a mesma raça, a fim de obter fêmeas melhoradas para reposição do plantel bem como obter alguns reprodutores para comercialização ou para o uso na sua criação.

RESISTÊNCIA E ADAPTAÇÃO DO REBANHO

No que se refere à resistência e adaptação do rebanho devemos lembrar que o clima quente e úmido da região Sudeste e Centroeste acarreta alguns problemas sanitários, que contribuem para diminuição acentuada dos índices produtivos da ovinocultura.
Uma alternativa para diminuição do uso de vermífugos é a criação de animais que apresentem menor susceptibilidade natural aos parasitos. A identificação de raças ovinas mais resistentes pode contribuir para o aumento da produtividade da espécie, em nosso meio, diminuindo os problemas sanitários e de produtividade e incentivar os produtores a buscarem estas raças como ventre para produção de cordeiros para abate. A criação de animais menos susceptíveis, o manejo adequado para minimizar o contato parasita-hospedeiro, aliados a vermifugações estratégicas, parecem ser o caminho para se aumentar a produtividade ovina no nosso meio.
O gráfico abaixo mostra o número de OPG das diversas raças durante o período de avaliação. Pode-se observar que os animais começaram com valores de OPG semelhante, contudo, na segunda coleta os animais já mostraram diferenças raciais, evidenciando um aumento acentuado para os animais da raça Suffolk e borregas Santa Inês. A elevação dos valores de OPG dos animais Suffolk pode ser devido ao clima quente e extremamente úmido nessa ocasião, mostrando elevada suceptibilidade, já as borregas Santa Inês coincide com seu periparto.

CRUZAMENTOS ABSORVENTES

Tem por objetivo obter animais RD (raça definida) ou SO (seleção ovina) ou PCOC (puro por cruza de origem conhecida) a partir de animais SRD (sem raça definida) ou da raça que se pretende fixar através do cruzamento com animais puros. Na primeira geração, obtem-se o animal ½ sangue ou seja CG1, nas subseqüentes ¾ (CG2); 7/8 (CG3); 15/16 (CG4); 31/32 (CG5) sendo que estes animais poderão receber a tatuagem “RD” ou “SO”.

Outras raças:

.: Suffolk
.: Ile de France
.: Texel
.: Hampshire Down
.: Poll Dorset
.: Santa Inês
.: Morada Nova
.: Dorper

 

 

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